Bastava?…

 

Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar
pelo mar. Por um rio ou por uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar

a tua pele molhada de sereia.
Bastava sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.

(Poema “Bastava” de Joaquim Pessoa)

Este é um dos poemas que mais gosto de Joaquim Pessoa e que me faz recordar certos momentos da minha vida e me transmite uma magia absolutamente inigualável.

 

Ah… desenganem-se!

Não vou falar de poesia, apesar de que muito de mim se situa nesse patamar de que não me consigo separar e, por esse motivo aceitei, não sem uma certa resistência, a minha entrada no Second Life.

Convenhamos, nunca me passaria ter uma segunda vida, mesmo que virtual! Isso não me entusiasmou em primeira mão, por isso, talvez a minha resistência durante algum tempo, em lá entrar.

Lembro-me que quando falei a uma amiga minha neste local virtual, porque gostaria que ela própria entrasse também, ela me perguntou admirada:

– “Mas para que precisas de uma segunda vida? Não estás bem como estás?”

Eu sorri…

É difícil, acreditem, explicar a alguém, que não percebe nada de mundos virtuais, o porquê de se entrar num espaço como este…e, depois, seguem-se as perguntas maliciosas… que temos que responder, com maior ou menor humor, consoante o nosso espírito.

Eu própria, me interroguei muitas vezes, para que precisava de lá entrar!?

Tinha uma séries de blogues para actualizar, onde até poderia colocar os mais variadíssimos temas, apesar de quase todos girarem à volta de poesia e de Poetas…porquê, então, entrar num espaço difícil de manejar, onde não tinha quase ninguém conhecido e onde se calhar, com o meu feitio ultra sensível, só iria ter desgostos?

Três meses se passaram e, sinceramente, ainda não sei se é ou não positiva a minha estadia, mas o que sei é que já faz parte do meu quotidiano abrir o SL, tal como é um hábito diário abrir o correio e os meus blogues pessoais.

Não sei se é um vício, um jogo que nos entra nas entranhas, mas dou por mim, muitas vezes a pensar, nos meus vizinhos do lado, que gostava de mudar a decoração da casa, que gostaria de lá fazer uma festa… (que já fiz) ou ainda, que gostaria de promover este ou aquele evento, claro que, se calhar ligados à poesia… mas não só.

O que poderá dar-nos o Second Life é uma pergunta que muitos farão, mas que só mesmo o tempo pode responder…

A mim… deu-me uma outra forma de sonhar, de voltar a fazer coisas de que gosto, de partir, sentada numa cadeira, à descoberta de mundos, onde eu nunca entraria de outra forma.

momentos na Ilha do Douro

E concretizei o sonho da minha Mãe… ver-me sentada ao piano a tocar… quem sabe… Chopin… o compositor favorito dela.

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