Por entre o irreal e o… real.

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despedida

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saudade

Ficou ali sentada olhando as frondosas árvores que em nada lhe recordava estar num mundo irreal.

Do outro lado do ecrã, a mão da pessoa que manejava a figura ali sentada, de cabeça baixa, quase sem vida, oscilava entre a cruzinha do “fechar” e a vontade de ali permanecer.

 Sabia que acabara de cometer o maior disparate de entre muitos que já cometera ultimamente, mas o coração falara mais alto que a sua personalidade rebelde ou, talvez, tivesse sido mesmo a sua personalidade rebelde, a cometê-lo.

Não se importava, afinal. Se não o tivesse feito, ficaria sempre com a pena que não o tivesse tentado, pelo menos, mais uma última vez; o que dissera, dissera-o com o coração… (um sorriso triste aflora o rosto para lá do ecrã, mas afinal os avatares têm coração?!)

Nunca conseguira ser fria ou calculista nos seus sentimentos e agira sempre por impulso e fora esse impulso, que a fizera fazer-lhe a pergunta e dizer o que dissera, expondo-se, afinal, à resposta que sabia de antemão que iria ter; mesmo assim correu o risco, tinha mesmo que o correr, concluíra, tristemente.

Sempre tivera a frieza de raciocínio necessário para manter a cabeça fria ou limpa, como gostava de dizer e era exímia em não mostrar os seus sentimentos, mas afinal portara-se como qualquer outro ser humano tristemente apaixonado.

Nos últimos tempos (meses, anos?) uma modificação operara-se em si; olhava-se ao espelho e não se reconhecia…

Nunca fora tão longe no afecto que dedicara a alguém, desde a sua louca e prolongada paixão, anos atrás, que a impedira de viver, em pleno, muitos anos da sua vida.

Sem contar e quando menos esperava, o seu coração começara a bater de uma forma desenfreada e a contar cada minuto que as horas possuiam… 

A onda que dela tomou conta manietou-a completamente, reduzindo-a como que a uma pequena flor, cujo caule se partiria ao mais pequeno toque – ela sempre tão forte, como seria possível? – 

Pouco a pouco deixou de ser ela, para ser somente um coração a bater, nada na fraqueza do seu coração revelava, afinal, a mulher forte e decidida de outrora, que ultrapassara, sozinha, tantas dificuldades e barreiras.

Deu uma última volta à casa que nos últimos tempos tinha sido o seu refúgio e onde acalentara alguns sonhos que julgara possível, sabendo que teria que ter muita força para dela se desprender.

A decisão estava tomada e tinha que prosseguir em frente e achar, de novo, o seu próprio caminho.

Quem sabe, voltarás a renascer… Aradhana.

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7 pensamentos sobre “Por entre o irreal e o… real.

  1. Que texto bonito… Achei tão bacana as ilustrações no início do texto! Só desejo que àquele (a) que deseja esse renascimento – assim como eu – consiga.

    Obrigada pela visita ao meu blog. Espero que volte outras vezes e espero voltar aqui também outras para ler mais. 🙂

  2. Apreciei imenso este texto, como todos os que escreves, e através dos quais eu vou adivinhando o ser maravilhoso que tu és. Deixo-te um dos meus sonetos com o título ” Renascer”…e um beijo…

    RENASCER

    O que é a vida p’ra quem não a sente?
    – Um estranho caminhar, sem rumo certo,
    Qualquer coisa que faz de toda a gente
    Como que areias secas num deserto!…

    Mas há mares, florestas, sol fulgente,
    Montanhas verdes…e do céu tão perto;
    Aves, ninhos, amor ainda inocente
    Como um botão de rosa quase aberto;

    Há pombas brancas, há a Primavera,
    A ternura de um beijo à nossa espera;
    E há sempre uma alma adormecida!

    Já lá vem a manhã, o despertar!
    Dá-me a tua mão, vem daí sonhar!
    Anda, vem comigo procurar a vida…

  3. João

    Obrigada pelo soneto e também pelas palavras que não mereço, acredita!
    Sou ser, acima de tudo, um ser humano, com as suas fraquezas e alegrias, que acima de tudo preza a Amizade.

    Gostei da tua visita

    Um beijo 😉

  4. Olá, apesar da beleza das tuas palavras, sabes bem o que me fazes sentir ao ler isto… estou à tua espera hoje e sempre.. a vida é feita de amores e de desgostos.. mas lembra-te que tens sempre este amigo deste lado.. principalmente para os teus maus momentos..

    Um beijo para ti.. até breve

  5. Salvador, tu és um ser muito especial para mim.

    Foste a primeira pessoa que, como avatar, que me deu toda a força, todo o apoio, para continuar.

    Se assim não fosse, há muito tinha desistido de um “mundo” desconhecido para mim, onde me foi difícil, confesso, integrar.

    O teu apoio e o da Jessica foram fundamental para a minha total integração, ultrapassando as dificuldades, mesmo técnicas, de estar nesse lado de um mundo tão controverso, como o é, afinal, a vida real.

    Tu foste o primeiro a fazer-me sentir que os avatares, afinal, não são bonecos sem alma, mas sim o veículo demonstrativo da forma de ser de quem os meneja.

    OBRIGADA por seres como és!

    Beijinho e tudo de bom para ti 😉

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